Tenho andado ás voltas com os meus papeis nesta terceira idade que estou a entrar.
Focando melhor, com o meu papel social.
Na família, eu sou avó e está claro.
No trabalho, eu sou psicoterapeuta, e orgulho-me disso.
Mas gostava de transmitir os meus valores, as minhas vivências e não estou a encontrar uma forma que me satisfaça.
Há uma integração de papeis que quero fazer, e se calhar talvez escrevendo.
Veio-me agora essa ideia.
As minhas reflexões posso publicá-las aonde?
E posso fazer workshops, seminários e dar cursos por aí, mas aonde, e o quê.
No outro dia vi um video sobre uma "abuela Margarita" e gostei de a ouvir dizer que as mulheres depois da menopausa deixam de ser mães dos filhos e passam a ser mães universais.
É por aí que quero caminhar.
Este feminino, que eu busco, desde que a minha mãe saiu de casa e me deixou à nora à procura de modelos, tem sido uma construção complicada.
As mulheres da minha geração usaram muitos valores masculinos para vingarem no mercado de trabalho, assertividade, direção, liderança, responsabilidade, competitividade,etc, etc
Mas também muitas de nós deixaram suspensos alguns valores femininos, a ternura, a tolerância, a receptividade, a espiritualidade, tudo isso foi deixado á espera de um tempo que havia de vir.
O tempo da reforma.
Mas a ideia da reforma desagrada-me profundamente.
Gosto de me levantar cedo, preparar-me para sair, e encarar o dia com alegria, e pensar vamos lá a ver o que o dia me reserva hoje.
São os encontros que tenho, os desencontros que não esperava, as dificuldades que aparecem, algumas realizações que ainda consigo, é a vida a borbulhar fora de casa.
Dentro de casa e como eu vivo sózinha só com os meus cães, pouca coisa interessante acontece.
A casa tem que se arrumar e limpar.
A comida tem que se fazer.
A roupa tem que ser lavada, passada a ferro e ás vezes cosida.
Este tempo em que estou só, com estas tarefas e os meus pensamentos, também são interessantes, revejo conversas, penso na família, faço planos, medito no significado da vida, rezo por aqueles que eu me lembro, etc.
O tempo de lazer em casa reservo à leitura, à musica, a ver filmes, a bordar, a tricotar, e gosto deste estar mole, arrastado, com um tempo mais lento.
Ando á procura como toda a gente de como ser feliz.
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